Vitaminas na Infância

"Doutor, será que o senhor poderia passar uma vitamina?". Os pediatras ouvem essa frase todos os dias, e essa é uma preocupação de muitas mães. Mas afinal, para que servem as vitaminas? Quando é importante que seu filho as tome?
Ao contrário do que muita gente pensa, as vitaminas não fazem a criança crescer mais, ganhar peso, ficar mais inteligente, ir melhor na escola, ficar mais esperta, ter mais apetite, ter menos resfriados. Essas substâncias são necessárias para o nosso organismo em quantidades muito pequenas, e a nossa alimentação diária é suficiente para suprir essas necessidades.
Quando o bebê nasce, no berçário é realizada uma dose de vitamina K, pois as reservas dessa vitamina ao nascimento são baixas e os leites materno ou de vaca não a possuem em quantidade suficiente. Com essa dose, terá vitamina K suficiente até os seis meses de vida, quando receberá outros alimentos. Para bebês que mamam exclusivamente ao seio até os seis meses de vida, não é necessário acrescentar nenhum tipo de vitamina por enquanto, exceto para os prematuros, que nascem com reservas diminuídas principalmente de ferro. Caso a alimentação seja outra (outro leite ou outros alimentos), a suplementação com sulfato ferroso e polivitamínicos será necessária.
Dos seis meses aos 2 anos de idade, o bebê vai realizar a transição alimentar, ou seja, vai deixar de consumir apenas o leite materno para consumir papas, depois a alimentação da família. Durante essa transição, é possível que a criança rejeite alguns alimentos, ou não os consuma em quantidade suficiente. Dessa forma, dos 6 meses aos 2 anos todas as crianças devem receber sulfato ferroso polivitamínicos em doses adequadas para a prevenção de deficiências.
A partir dos dois anos de idade a criança já é capaz de obter esses nutrientes da alimentação diária. As vitaminas ficam reservadas para crianças desnutridas, com doenças intestinais ou pancreáticas que cursam com má absorção, ou com erros inatos do metabolismo. Crianças saudáveis não precisarão de mais nada por toda a vida!
O Ministério da Saúde recomenda que, caso a criança menor de dois anos seja alimentada com no mínimo 500ml/dia de fórmula infantil (leites especiais para essa faixa etária), não seja feita a suplementação com sulfato ferroso e polivitamínicos, uma vez que essas fórmulas já contém os nutrientes acrescidos.
Cuidado com a automedicação! As vitaminas em excesso também causam doenças: as hipervitaminoses. Hoje em dia, os produtos industrializados são frequentemente enriquecidos com vitaminas e micronutrientes. Acrescentar a isso doses diárias de polivitamínicos por conta própria pode trazer problemas.